sexta-feira, 21 de julho de 2017

DESCULPAS: UM CASO RECORRENTE!

Tenho escrito aqui sobre o tema desculpas no ambiente de trabalho. E o assunto é sempre recorrente em todos os ambientes que frequentamos. Como diz o professor João Cordeiro, as crianças já nascem com o chip da desculpa. Percebo que nem sempre a pessoa consegue controlar quando realmente aconteceu algo que a impediu de realizar uma tarefa, da ocasião em que faltou planejamento e ela não cumpriu o que prometeu.

Analisando um caso recente de desculpas, notei postagem numa rede social onde um empresário e consultor e que atua em várias áreas, informa que cometeu um erro ao realizar uma tarefa diária, que prejudicaria um evento de sua responsabilidade, que teria apresentações para fazer no outro dia e nada havia preparado e na data subsequente teria que atender clientes em consultoria, mas que sequer havia estudado o perfil dos clientes.

O que ele quis mostrar com isso?

Que é um cara atarefado, cheio de trabalho, na linguagem do mercado, seria um workaholic, ou seja, viciado em trabalho, multiarticulado, enfim, alguém que trabalha muito.

Eu logo associei ao caso dos artistas famosos, que se gabam, no auge da fama, de não ter tempo para parar em casa, que são muito assediados, trabalham sábados, domingos e feriados o dia todo, vivem no hotel....dá um glamour na vida da pessoa. No caso dos artistas mostra que a fama chegou e o estrelato junto com ele...

Interessante que notei várias pessoas, na referida rede social, consolando o empresário, uns oferecendo apoio, outros dando força, com mensagens do tipo "vai dar tudo certo" ou ainda "já deu tudo certo..".

As pessoas, em sua maioria, não enxergam erros nele, ao contrário, parece que ficam até "com pena", sofrem com o empresário. Há uma tendência de julgamento, por nossa parte, tolerando a desculpa. 

Mas como o mundo corporativo profissional analisaria o caso?

As grandes empresas, ao lerem essa postagem, já rejeitariam o perfil desse empresário para qualquer posto que ele por acaso se candidatasse. Isso mesmo. Não passaria no teste por causa dessa postagem.

Que erros ele cometeu? Você pode alegar, como comentaram, que "errar é humano". Sim, claro, mas há limites para erro. E no caso dele o erro foi apenas ao cancelar a inscrição eletrônica feita de um evento.

Ele informa que teria apresentações a fazer no dia seguinte e não havia preparado, que teria que virar noite para cumprir a obrigação. O que o levou a não preparar antes as apresentações? O erro foi hoje, as apresentações seriam amanhã, porque não preparou ontem as apresentações ou outro dia?

Note que sempre estou frisando a palavra empresário, não é um estagiário, não é um diretor, é o CEO de uma empresa, tem que estar preparado para trabalhar com planejamento, prevendo erros, prevendo acidentes, prevendo casos inesperados que atrapalhariam o dia a dia dele....

Ele informou também que dois dias depois teria que atender clientes em consultoria e que não havia estudado o perfil das empresas. Mais um trabalho atrasado, que poderia ter sido feito antes. 

A pergunta fundamental é: PODERIA TER FEITO ESSE SERVIÇO ANTES E NÃO FEZ?

Se poderia e aconteceu um fato imprevisto, um desvio de rota, qualquer que seja, a alegação para não cumprir o prazo é uma desculpa.

No caso desse empresário aconteceu um fato imprevisto, prejudicando o evento que ele programou, tudo certo, não é desculpa para esse acidente, que ocorreu horas antes do evento começar. Foi um erro, uma falta de atenção, dá pra aceitar...

Mas e as apresentações que seriam no dia seguinte?

E os clientes que seriam atendidos em consultoria para o outro dia?

Demonstrou com o texto que é uma pessoa que não planeja o seu tempo de forma correta, que assumiu compromissos que não poderia cumprir, que prestará um serviço de baixa qualidade, tanto nas apresentações que seriam feitas às pressas, quanto na consultoria, que seria dada sem estudo dos casos dos clientes...

O objetivo desse texto é estudar um caso concreto ocorrido no dia a dia do mundo corporativo, não estou identificando as partes envolvidas, nem usando o texto para criticar especificamente ninguém, mas mostrando a necessidade nossa de programarmos nossas atividades, assumindo somente os compromissos que temos condição de atender. E mais, é obrigação realizarmos nossas atividades com o maior zelo possível, com rigor no tempo para nos prepararmos para cada evento, cada serviço a ser prestado, por respeito ao cliente e a quem será por nós atendido.

Se me proponho a vender cachorro-quente, que seja o melhor dog da cidade, se me proponho a apresentar palestras, que sejam as melhores palestras do país, significa dizer que tudo que faço tenho que me esforçar ao máximo para ser o melhor, mesmo assim estarei sujeito a receber críticas e não ser aprovado por minhas ações....

Ser workaholic é ser viciado em trabalho, mas em trabalho bem feito...fora disso é muito feio!


segunda-feira, 17 de julho de 2017

QUAIS AS MAIORES DIFICULDADES COM A REALIZAÇÃO DE LICITAÇÕES?



Em artigo recente defendemos a tese de que o maior problema dos gestores públicos do Brasil são as licitações e contratos públicos. Reforça a tese a manchete dos principais jornais, onde diariamente são retratadas operações, sentenças condenatórias e relatos de corrupção envolvendo processos licitatórios.

Mas o que gera tais dificuldades?

Listamos abaixo as maiores dificuldades dos gestores ao lidarem com o tema LICITAÇÃO:

1) Falta de pessoal preparado para atuar nas comissões de licitação, contratos e pregões. Incluo aqui contratos pois eles são vitais para a legalidade da licitação, portanto, não basta licitar bem, o gestor precisa acompanhar a execução do contrato com eficiência. Nos órgãos públicos existem poucas pessoas preparadas. E quando falo preparadas para trabalhar com licitação faço referência a quem pede a licitação, ou seja, membros de secretarias, autarquias, órgãos da administração. O nascimento da licitação é viciado, na maioria dos casos, por despreparo das equipes.

2) Infraestrutura de trabalho deficiente. Isso mesmo, faltam equipamentos, softwares e até espaço físico para o trabalho das equipes de compras e licitações. As equipes de apoio, funcionários e todos que atuam no processo precisam de preparo, treinamento e constante atualização. Acompanhar a legislação, decisões dos tribunais de contas e da Justiça é obrigação dessas equipes. Não há disponibilidade para tal.

3) Apoio jurídico em tempo integral. Isso mesmo, o avanço da legislação, das exigências e cobranças sobre os processos de licitação exige apoio jurídico especializado constante, seja através de consultorias ou do próprio corpo jurídico da prefeitura ou Câmara Municipal. Os profissionais que atuam em licitação precisam estar treinados, preparados e atualizados com a legislação de licitação.

4) Apoio técnico para cada grupo de objetos de licitação, por exemplo, as equipes não dominam temas como sistemas de informática, obras, medicamentos e exames e tantas necessidades que são encaminhadas ao setor de licitação sem que este detenha consultoria técnica para a preparação dos editais e acompanhamento dos certames. Numa licitação de sistemas, por exemplo, é imprescindível o acompanhamento por parte de um especialista, que domine o tema softwares públicos e tenha condições de apoiar as comissões de licitação e pregão da abertura até a adjudicação do vencedor.

O gestor que deseja trabalhar com eficiência, manter íntegra suas licitações, não pode abrir mão de dotar sua administração de infraestrutura e treinamento adequado para todos que fazem parte do processo licitatório, desde a abertura do certame, quando o pedido é feito, até a adjudicação para a empresa vencedora.

O PRÍNCIPE - Biografia de Marcelo Odebrecht


Este livro retrata a história de Marcelo Odebrech o herdeiro e ex-presidente da maior construtora do país e sua participação como réu na conhecida Operação Lavajato. Trata-se de um texto de dois jornalistas, Marcelo Cabral e Regiane Oliveira.

Mostra a vida dele na prisão, o dia da operação Erga Omnes e a chegada surpresa da Polícia Federal à casa do empresário, num condomínio de luxo de São Paulo. Explica como funciona a maior empresa de obras do país, seu manual de bons procedimentos, conhecido como TEO e o histórico de gestão familiar da empresa, do avô Norberto a ele, o terceiro Odebrech.

Mostra ainda como a empresa tenta manter-se no mercado, com mudanças na gestão de sua cúpula de dirigentes. Por fim, a delação de Marcelo, após várias tentativas frustradas de negar a ocorrência dos crimes.

Obra muito bem escrita, com texto fácil e explicações objetivas. Recomendo!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

AGENDA DE AGOSTO: TREINAMENTO SOBRE PPA, LDO E LOA PARA VEREADORES

Uma parceria de sucesso está sendo formada no Noroeste Fluminense, para o primeiro treinamento específico sobre planejamento municipal voltado para vereadores e assessores, no mês de agosto, abordando a elaboração do Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual.

terça-feira, 13 de junho de 2017

e-Social: SUA EMPRESA ESTÁ SE PREPARANDO?


O Brasil promoveu uma grande mudança na legislação trabalhista, previdenciária e fiscal com a implantação do programa e-Social. Nascido sob a sombra das chamadas reformas da previdência e trabalhista, o sistema vem ganhando um mínimo destaque por parte dos especialistas na área. Os jornais pouco comentam e o empresariado, de olho nas reformas, preocupado com a crise e atento aos desdobramentos da Justiça e da política, além dos ecos do Congresso Nacional, não se prepararam para a implantação do e-Social em janeiro de 2018.

Observem bem. No final de junho de 2017 faltarão 6 meses para o início da vigência do e-Social. Qualquer busca na internet nos encaminha só e tão somente para o que o governo produziu em termos de material didático e disseminação da utilização dessa ferramenta. O que significa que até as empresas que produzem sistemas e disseminam treinamentos nessa área, não estão tão atentas à questão.

Segundo especialistas, são 45 informações condensadas num único programa, no sistema que recebeu o nome de e-Social, que representa Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas, instituído por meio do Decreto nº 8.373 de 11 de dezembro de 2014.

Observo um rol de providências que precisam ser tomadas URGENTEMENTE por parte do empregador privado (empresas) e público (prefeituras, Câmaras, Estados):

1) Conhecer o programa, estudar a legislação, saber do que se trata o e-Social;

2) Atualizar as equipes com relação à legislação trabalhista, fiscal e previdenciária. Isso pelo fato de que ele consiste, nada mais, do que na aplicação da lei com o rigor exigido pelo controle eletrônico via cadastramento no sistema. Se as equipes não conhecem a legislação, não há como trabalhar na solução;

3) Pesquisa de sistemas (softwares) que estejam adequados ao e-Social. Pois a alimentação das planilhas atualmente utilizadas, na folha de pagamento, no controle fiscal e previdenciário será de forma muito diferente. A geração das planilhas exigirá novos softwares.

4) Adequação das ações de gerência nas empresas. Isso significa implantar controles rigorosos de prazos para o envio das informações e para a realização das operações. Por meio do novo sistema não será possível realizar um afastamento ou admissão fora do prazo. As empresas precisam estar preparadas para a notificação ao governo dessas operações de forma automática. Não posso desligar hoje e comunicar amanhã. Se afastou o funcionário hoje, o sistema deverá ser alimentado no prazo do sistema.

5) Testar o módulo do sistema que já existe e começar a preparação para sua alimentação.

Essas providências precisam ser tomadas com antecedência, para evitar atropelos, para que as empresas não sejam "surpreendidas" nos últimos minutos do segundo tempo.

Existe farta documentação, um manual e vários informes no site próprio do e-Social (www.esocial.gov.br), que pode ser acessado por qualquer pessoa. Comece trabalhando com esse material.

Mas além disso, o principal, é a vontade do gestor público e do gestor privado em discutir, implantar e começar, com planejamento racional, entender essa solução, para que ela não vire vilã da falta de planejamento dos usuários.